quarta-feira, 12 de fevereiro de 2025

Voar é perseverar

Eu saltei de pelo menos 12 mil pés de altura, sem para quedas, sem ninguém segurar a minha mão, saltei confiando em mim, e em como eu gosto de dizer: no “universo”. Mas calma que não é bem assim, não foi um salto literal, mas posso garantir que é real. Claro que isso pode ser considerado uma analogia boba, e ao mesmo tempo caber perfeitamente no meu momento.

Depois de trabalhar durante quase nove anos no setor administrativo (publico) eu me joguei. Isso, eu me joguei para fora de lá. Eu mesma me retirei, antes de retirarem comigo, ou eu me perder de mim mesma, aliás como já vinha acontecendo.

A minha trajetória poderia ser resumida em três palavras: Plenitude, transição e tristeza. Mas como eu sou escritora, gostaria de descrever de fato a que estou me referindo.

A Plenitude. Durante certo tempo eu costumava dizer que não trabalhava, eu recebia para ser feliz. Isso mesmo, era essa a descrição para falar do meu antigo emprego. Era uma alegria, desafios diversos, tudo com significado e proposito. Eu não sou muito fã de nostalgia, as pessoas que me conhecem sabem disso, mas ao falar desse momento é algo inevitável para mim, porque foi incrível, uma realização de formas como eu ainda não havia vivido.  

Mas tudo que é bom... Após algumas mudanças inevitáveis por questões que não requer comentários, tudo realmente mudou, e com o passar do tempo se transformou.

Transição. Durante algum tempo eu queria muito continuar, e foi uma luta conquistar a confiança dos novos líderes, foi desafiador de diversas formas e eu sentia orgulho das minhas condutas a cada nova etapa que isso acontecia. Durante este tempo de transição foi possível manter ainda algumas das funções antigas que faziam sentir o meu proposito latente.

No entanto, em 2020 tudo mudou, e não foi só por conta da terrível pandemia que todos nos lembramos. Neste ano eu fui mais uma vez testada, naquele momento de terror tive que provar o meu valor novamente, e aceitei ir para um setor completamente diferente das minhas funções até então, uma frente extremante burocrática e incompatível com o meu perfil.

No inicio eu fiquei feliz, era mais um desafio, uma oportunidade de me mostrar mais uma vez capaz de sobreviver as transformações, e sim eu me considero alguém flexível. Sem falar que era o ano da pandemia, e ficar desempregada seria um dos piores pesadelos para qualquer pessoa. Enfim a pandemia acabou e eu consegui permanecer trabalhando, mas o que isso me causou depois deste período foi extremo e doloroso.

Após o terror que vivemos durante a pandemia senti os meus principais talentos suprimidos, fui sufocada por minha criatividade reprimida, proibida de falar sobre qualquer assunto que eram a razão da minha inserção na educação. Sou além de professora de artes, escritora, estudo sobre as questões das mulheres, e luto o tempo todo contra qualquer descriminação.  

Na sala de aula, quando leciono Ética e Cidadania isso é lindo de realizar, mas quando se está em um ambiente hostil precisamos nos adaptar, e muitas vezes isso que dizer silenciar. Nos vemos em situações que você precisa explicar: por que ninguém tem o direito de agredir uma mulher independente do motivo, isso é deprimente. Isso para falar o mínimo.

Tristeza. Eu adoeci. Adquiri diversas respostas do meu corpo sobre o trabalho que estava realizando e a que estava dedicando a maior parte dos meus dias. Foram muitos anos pedindo uma oportunidade para atuar com o que eu tenho talento, afinal precisam existir pessoas para atuar em todos os setores. Pessoas que se identificam com contabilidade, por exemplo, não terá facilidade em criar projetos envolvendo arte e escrita criativa, precisamos dessa variedade de gostos e habilidades para que as atividades aconteçam com qualidade para todos os lados, afinal, o que seria do azul se todos gostassem do amarelo?

Salto. E foi assim que eu entendi que algumas batalhas são vencidas quando você se escolhe, e decide optar por você mesma. Os meus braços, meus sonhos e minha mente não conseguiam mais ficar presos atrás de uma mesa fazendo conferências minuciosas sem sentido para o que faz parte da minha natureza. Não é sobre mim ou qualquer pessoa, é sobre afinidades, perfil, sentido.

Agradeci as pessoas todas que me deram essas oportunidades, de certa forma vivenciei varias etapas e todas elas possuem a sua importância, até as pessoas quem me fizeram sentir desconfortável a ponto de eu preferir não permanecer.

Ao buscar novas oportunidades de trabalho notei que existem vagas valorizando que seus futuros colaboradores não sejam “mente fechada”, que não pratique discriminação contra ninguém. Fiquei encantada em saber dessa realidade, ao invés de corrigir o mínimo, me preocupar em estudar para não passar vergonha, é este o desafio que eu busco!

Eu quero viajar, participar de congressos, fazer as minhas palestras, lecionar com qualidade, falar de arte, cultura, fé nas pessoas e nas mudanças. Quero voar, e o maior salto de todos, daqueles que perseveram!

 






Texto: Grazy Nazario. 

segunda-feira, 20 de setembro de 2021

Uma beija-flor voou - Diário da artista

 É real.

Eu voei entre as nuvens e por cima delas, senti seu cheiro e seu gosto, que não tem sabor de nada. Eu voei, e continuo a voar, ainda que com os meus pés em terra firme. Sinto o vento por entre os meus pés, aquela brisa suave, o sol lindo brilhando sobre minha pele, o meu sorriso sem conseguir sair dali. Eu guardei em minha mente e no meu coração aquela sensação de felicidade, os meus olhos ficam marejados quando eu os fecho e lembro. É a verdade de que é possível.

Eu não sou um animal que voa, e então como explicar o dia em que voei.

São muitos os ângulos a validar esta experiência, a qual pretendo repetir sempre que possível, sem medo, ou resistência. Voar era um sonho antigo, o qual eu já havia imaginado de muitas maneiras.

Mas vale falar também sobre aquele “sonho” de quando a gente dorme e vê coisas acontecerem conosco. Quem nunca sonhou que estava voando?

Eu sempre sonhei, muitas vezes ia dormir pensando na sensação de tirar os pés do chão e flutuar, até cambalhota no ar eu dava. Era uma delícia acordar com aquela sensação, eu ficava por muito tempo relembrando e rindo sozinha.

Salvo as pessoas que tem medo de altura, geralmente muitos me descrevem diversas sensações de como se sentiam ao voar em seus sonhos. No meu caso, eu nunca temi nada em relação à altura. Olhar as coisas de “cima” costuma ser uma metáfora que adoro usar. Digo o quanto é importante ter uma visão ampla a ponto de perceber a atenção necessária aos detalhes. Logo, este não foi o meu maior desafio, o desafio que considero mais importante nesta aventura foi o de executar. Mas não apenas este verbo em específico.

Fazer, curtir, sentir, compartilhar, me emocionar. Foram estes, entre outros sentimentos e ações, que neste instante não me lembro, mas que certamente existiram. Chegar ao momento do vôo me trouxe a certeza de que sou capaz, e não apenas disso em si. Mas das coisas que me dispor a fazer, ouvir o meu coração, e dar atenção aos meus desejos.

Sentir a coragem percorrer pelo meu corpo foi surreal também, mas o que seria esta coragem? Quer dizer que em nenhum momento você sentiu frio na barriga, Grazy?

E eu digo:

- Lógico que eu senti, a princípio foi exatamente esta sensação que fui buscar!

Mas eu não tive medo de morrer, ou de cair, ou de não curtir. (Lembra o quanto eu sonhei literalmente com este vôo).

Eu tive medo do novo, daquilo que eu não conhecia, embora quisesse sentir, e fizesse idéia do que me esperava, e mesmo tendo feito e refeito estes passos durante muitos anos almejando este momento. Na hora H o frio na barriga acontece.

Tememos aquilo que ainda não vimos, mas como saber o que tem do outro lado sem arriscar, e não viver aquilo? Por que aprendemos a ter medo de viver um novo momento? A partir de quando nos acostumamos a observar as pessoas em seus saltos diversos, com medo de ousar nossos próprios passos?

Como perceber que está na hora de superar um trauma? Virar a página ou realizar um antigo sonho?

Afinal o que tem do outro lado?

Esta rampa irá me levar a um mundo desconhecido e feliz? Será que eu vou correr do jeito que devo para dar certo? Eu vou ter a calma necessária para curtir o tão esperado vôo?

Enfim aconteceu, todos os passos foram feitos, a grana foi paga, o dia estava lindo, e o vento a favor, como eu pedi ao universo. E a experiência foi incrível. Além do esperado, com todas as expectativas ultrapassadas, todos os medos superados, e a sensação de “eu sou capaz de tudo” mais forte do que nunca.

O mar, o sol, o vento, os morros, a vegetação, e todos os outros presentes da natureza me admiraram como eu a eles.

Nos comtemplamos, sorrimos e nos divertimos juntos, foi digno.

Eu estou pronta para continuar o meu vôo em terra, e retornar a aquela sensação de plenitude e poder sobre mim mesma. De saber quem eu sou, o que eu quero, e como posso tornar possível os meus sonhos.

Mais que isso, eu sei que posso ajudar outras mulheres a sonhar, quebrar barreiras, despertar velhos e novos desejos. Eu tenho uma missão, e ela começa em não desistir de quem eu sou.

Eu recomendo a todas as pessoas a voar, com asa delta, ou com as suas próprias asas. O ato de voar é realizar sonhos, mesmo que em terra firme e em dias nublados. Não duvide, desdenhe ou negue os seus sonhos, não desperdice mais nenhum minuto de sua existência. Outras se inspirarão em você, assim como você se inspira em alguém.

Seja a mulher que você admira ser, e o universo fará você se enxergar nela.

O meu vôo foi no dia certo, na hora, com o céu e na plenitude mais sublime oferecida pelo universo. Eu agradeço imensamente a todxs que estiveram comigo, e dividiram o primeiro dos meus vários vôos... Foi um prazer e uma honra. Saibam que fizeram parte de uma importante realização, e o torno é o que o torna cada detalhe tão especial.

 

Ps.

A minha primeira grande realização como escritora, se chama: O vôo do beija flor, o meu primeiro livro de poesias.  Minha amiga me lembrou disso pouco antes do meu primeiro vôo de “verdade”. Neste caso, não serão mais as minhas palavras transformadas em poesias que passarão a voar e chegar nas mãos e mentes das pessoas. Será eu mesma, e minha experiência narrada e vivida, sendo compartilhada, é assim que a beija flor irá falar sobre este desejo de sempre.



Para hoje: 

Sonhos são vôos que ainda não aconteceram.

Mas que não morrem quando você o alimenta, e flutuam em plumas quando você os realiza.








segunda-feira, 30 de novembro de 2020

Finais reais

 Eu costumo falar bastante sobre finais, mas quase sempre os associo a renovações ou recomeços. Costumo pensar sobre como o tempo e alguma experiência contribuiu para aprender a aceitar finais, pensando que para tudo se tem um recomeço, como acontece nos livros. Finalizamos um capitulo e vem o inicio do próximo, e assim acontece até acabar toda a história. Sem contar que, quando o livro é bom vivemos um misto de curiosidade e medo. Tememos o fim, e a separação daquelas emoções, mas também queremos saber o que acontece. Dor e desejo, risos, choros e emoções... Assim até que o livro termina, e aquela sensação de vazio nos chega. Ao final um sorriso de satisfação se une junto ao abraço na obra. Olhamos o livro fechado, os olhos brilham. " Quantas coisas vivemos juntos, e tantos planos, foi muito bom, e acabou".

  Sempre gostei de pensar assim tanto na escrita, como na leitura. Dormimos e acordamos com os personagens todos os dias, nos tornamos amigos, ficamos a imaginar as suas atitudes, e torcemos para que o melhor aconteça, ou o pior. rsrs

Na escrita não é diferente, mas confesso que é muito mais emocionante, o paragrafo se escreve um a um enquanto vamos digitamos as palavras, assim como acontece enquanto escrevemos um texto como este, é muita emoção, amor e satisfação. É surreal. Por essas e outras os finais nos dilaceram, quando finalizamos uma historia é como realizar um parto, a obra já finalizou, e então ficamos a sentir falta do que tínhamos dentro de nós.

Sempre que eu estava com um projeto perto de chegar ao fim, o meu lado criativo enlouquecia em possibilidades de criações, talvez fosse o meu subconsciente, como uma forma se proteger as minhas sensações, dificilmente eu ficava sem ideias para escrever outra historia, e isso sempre me soou como algo muito bom. Até que decidi que deveria usar isso em outros setores da minha vida, creio que o medo do vazio não me deixou raciocinar muito bem. Pensei que não fosse necessário "esperar", e assim não deveria/poderia ficar nem mesmo um dia sem trabalhar, assim como, não esperaria nenhum sentimento ir embora por si só, deveria colocar muitas emoções sobre eles para que ele morresse sufocado.

Mas muitas vezes saímos de um determinado emprego esgotados, impossível raciocinar, e avaliar bem as grandes oportunidades que cabem ser aproveitadas por nosso potencial, e também o que podemos e queremos fazer. O medo sufoca, o cansaço não nos deixa enxergar nada, e aceitamos qualquer coisa mesmo que não tenha nada a ver conosco, só para não ficar desempregado. É claro que precisamos comer, vestir e bla, bla, bla. Mas relaxar a ponto de pensar em si, no que ama e gostaria de se dedicar não deveria ser considerado perda de tempo, pois é ganho. 

Assim também acontece com os sentimentos, muitas vezes não queremos esperar nada, nos cansamos, e decidimos não mais sofrer por aquele motivo, ai sofre por outros, e depois sofremos pelos velhos e novos motivos. Coisas da vida, dos finais, seja da paciência, da memória, ou dos finais em si.  

Então pensei que nem tudo se renova, algumas coisas terminam mesmo, porque chega o tempo de seu fim, acontece com encontros, com o expediente do trabalho, um filme, e um livro, é claro. E não sempre finais acontece para que novas situações renasçam, e tudo bem, não é o fim do mundo, apenas o fim de uma história, e caso outra melhor não acontecer, teremos em memória a melhor história até então vivida, lida ou contada. Assim como a vida, tudo acaba.

Hoje o meu dia finda, algumas decepções marcam o meu coração, alguns arrependimentos, outras certezas, e muitas palavras, estas eu espero que nunca se acabem dentro de mim. Embora finais sejam reais, e muitas vezes tristes, outros são imensamente esperados, mas nem tudo depende de nós. 

Desejo os melhores finais, principalmente para os inevitáveis. Que a tristeza passe, a esperança não morra, e o sorriso aconteça. 

Para hoje:  "Amanhã vai ser outro dia..." (Chico Buarque). E enquanto este for o plano espiritual que nos pertence, teremos outros dias. 


Texto: Grazy Nazario. 

terça-feira, 1 de setembro de 2020

Inícios e fins - Festa de Quarentena!

No balanço geral: ao completar mais uma primavera, a escrita trânsita entre o bem e o mal dos propósitos cumpridos.   

Inícios e finais estão próximos e extremamente distantes um do outro. Eu sempre gostei do dia do meu aniversário, várias formas de fazer ele ficar mais bonito: o primeiro dia do mês das flores, o aniversário do meu time querido Corinthians, mas o que acho mais bonito é o dia em si. O primeiro quer dizer que algo vai começar, é o inicio, aquele que abre caminhos para os dias que se seguirão cada um com sua importância, ele é o abre alas. E como eu amo iniciar coisas, seja ideias, livros, contos, conversas ou textos, até cansar. Eu sempre fico triste quando está chegando no fim da história, só fico mais animada quando sei que posso iniciar outra, é isso que me anima. No caso dos aniversários começamos um ciclo e fechamos outro, algumas vezes o fim é doloroso, outras nem tanto, o fato é que muitas vezes isto está além de nós.

Lembrei-me que aos dezoito anos eu disse que viveria até os 40 anos, isto era o suficiente. Eu viveria o bastante para ver uma mulher ser presidenta do Brasil (pelo menos isso), as mulheres teriam direitos reais, o racismo não existiria mais, eram muitos sonhos... Tenho que admitir que sonhei alto!  E embora algumas coisas tenham acontecido em prol de mudanças e melhoras, estamos longe de chegar em pé de igualdade, seja social, ou de gênero, mas a luta segue. 

Depois de tantos inícios e finais percebi que temos fases boas e ruins, estas datas são danadas para surgirem julgamentos, e reflexões sobre o que passou e o que está por vir. Creio que todas as pessoas passam por isso de vez em quando. Ficamos a imaginar novas concepções, meios de perceber o mundo, e aquilo que está em torno de nós. Pode ser a tal pandemia da covd 19, afinal, quem imaginaria algo dessa natureza há 1 ano atrás? Salvo alguns cientistas e pesquisadores que acreditavam que tal façanha aconteceria novamente em algum momento, estávamos a viver nossas vidas com o mesmo ritmo de sempre.

Talvez seja a situação provocada pela pandemia, o meu inferno astral, ou somente os habituais devaneios que por vezes transitam em minha mente. A tal autoavaliação é inevitável, e a realizo contando o espaço dos últimos dez anos até hoje. A mente divaga, é possível enxergar mudanças positivas?  Seja na forma de crescimento pessoal, comportamentos, realizações desejadas e alcançadas, ou não. Pensar em não ter realizado mudanças é muito complicado, é como se perdesse um tempo precioso que não terei de volta. Imagina uma década sem nenhum tipo de amadurecimento, seriam 3.653 dias vividos em repetições infinitas e sem o menor propósito, isso seria péssimo!  

Questiono quanto ao meu comportamento com aqueles que estão mais próximos, aos que se afastaram, e daqueles que me distanciei. Também reflito sempre sobre a minha missão de vida e se estou no caminho certo. A covid 19 surge como algo que deixa tudo mais intenso, nos provocando a rever sonhos e quereres. Uma necessidade de reafirmar o que fazemos da nossa vida, e repensar atitudes quando temos oportunidades reais, consciência e capacidade de fazer. O saber colaborar com aqueles que precisam de nós, e compreender até onde nos cabe e a nossa mão alcança.  

O tempo me ensinou que não sou perfeita, agir por impulso quase nunca dará certo, e que as vezes posso sim errar, me desculpar, aprender, e está tudo bem. A vida segue, faceira, sorrindo, chorando, caindo e continuando a caminhada. Mesmo sabendo de minhas limitações, a virginiana que habita em mim continua perfeccionista, e com vontade de deixar o mundo perfeitinho para que pessoas possam ser felizes e terem consciência disso. Posso ir melhorando o que consigo até chegar perto do melhor possível. 

O meu feminismo continua na veia! Mas a minha voz está mais baixa que há dez anos atrás, porém os argumentos estão repletos de base teórica e meus ouvidos abertos com compaixão intelectual para aqueles que desejam trocar ideias, aprender e ensinar. Ninguém precisa ver o mundo da mesma maneira, mas podemos nos ajudar, e deixar ele mais bonito e justo para todxs.  

A pandemia também me mostrou o que eu já sabia, mulheres sempre sofrem mais em qualquer situação de dificuldade. Está sendo assim durante a pandemia, e continuará enquanto a liberdade não for um canto único de libertação para a humanidade. As nossas conquistas são minimas, e só aconteceram com muita luta e para que ajustes econômicos e sociais fossem feitos. Nada foi de graça!  Não tenho vocação para ser heroína, quero viver coisas novas e bonitas, explorar o mundo, ser feliz e ter o direito de descansar e sorrir ao lado daqueles que amo. Andar na rua sem medo, e não temer por todas as meninas que já perceberam o quanto o gênero feminino é vulnerável. Desejos simples, mas que não tenho certeza se verei em vida. 

Deixei para trás aquilo que não valorizava o meu crescimento e amor, comigo caminha apenas aqueles que acreditam que o tamanho das pessoas e dos seus sonhos faz sentido, e estão na mesma direção. A minha vontade deve ser soberana na minha vida, e as companhias estarão pelo caminho. O universo cuida de nós, quando nos importamos com o que nos faz bem. 

Fazendo um balanço eu ganhei mais do que perdi, e isso é bom.

Pensei novamente sobre isso de viver somente até os 40, e não me digam que é mórbido falar sobre a morte, afinal é uma das poucas certezas que temos, está aí o covid no meio do mundo para nos provar isso todos os dias.  Neste caso, avaliando a possibilidade da minha antiga profecia acontecer, restaria pouco tempo de vida para tantos aprenderes e afazeres: livros, propostas e palestras, eu ainda não mudei o mundo na parte que me cabe. 

Sendo assim terei que falar com o Universo: Meu querido e esplendoroso Universo, será que é possível adiar aquela data, por favor. Me permita mais um tempinho com saúde, fé, força e amor. Eu preciso curtir mais o carinho dos que me cercam, e tenho também mais umas coisinhas a fazer em vida terrena nas escolas e na internet. Prometo não decepcionar nenhum de nós. Que assim seja. 

A parte boa é que o Universo me conhece melhor do que eu mesma.  

Para hoje: Um novo ciclo todos os dias. Feliz aniversário.  


Grazy Nazario. 

sábado, 15 de agosto de 2020

A liberdade em ação - Diário da artista

 O que pensar da liberdade, se nunca nos deixam livres a pensar!


As palavras possuem a mágica ação de indicar significados. É lógico que atitudes são mais importantes que qualquer outra coisa, mas não dá para não enaltecer a beleza das palavras e o acalento que elas nos acarretam quando são ditas ou cantadas em nossa vida. 

Não imagino um mundo sem a magia das palavras, e entre as mais belas me encanto com a linda e bela combinação das letras que forma a dita - LIBERDADE. A sua sonoridade é encantadora, linda de ouvir e de se imaginar praticando. 

Mas o que é liberdade afinal? Como saber que estamos a praticar a mais linda expressão de uma vida.

Liberdade pode estar ligado a tudo, ou nada ao mesmo tempo, afinal, liberdade é também não precisar dizer algo que não se tem vontade. Percebe como é traiçoeira a linda palavra? Eu fiquei bons momentos a me deliciar na fonte dos significados possíveis para me sentir verdadeiramente livre dentre tantas possibilidades. 

Liberdade também poderia se enquadrar em vestir o que quiser, comer ou não algo, querer ou não uma direção, fazer ou não algo relacionado a nossa existência. Existe também a vontade literal da palavra, ou seja, não estar em uma prisão real é não ter liberdade. Metaforicamente temos a liberdade dos pensamentos, hábitos, rigores morais ou culturais... Muitas coisas podem nos prender de algum modo.  

Para isso dependemos da liberdade de escolhas, de suprir os desafios, temos a liberdade de nos aliar ou não a alguém ou uma ideia. Encarando este lado da palavra, a liberdade tem tudo a ver com o livre arbítrio, outra situação que nos deixa de cabelo em pé. Até que ponto estamos prontos para sermos capazes de fazer escolhas com consciência? 

Para ser livre é preciso ter coragem. Quando desejamos a liberdade e a temos, passamos a nos responsabilizar por nossas atitudes, tudo o que fizermos nos trará realizações e consequências amplas ou não. O fato é que sabemos que a nossa ação terá retornos e teremos que aprender a lidar com as novas realidades, é assustador saber que não será outra pessoa responsável por tais impactos em nossas vidas. No entanto, é também incrível perceber o quanto podemos ser grandes, intensos e poderosos quando nos assumimos. Não somos responsáveis pelo que as outras pessoas fazem, mas o que praticamos diante da vida das outras pessoas sim, e como fazemos para lidar com as situações que provocamos. É um tal de tudo junto, mas nem tanto. 

Quem me disser que não precisa de coragem para ser livre está errado, ou estará tentando se convencer de que não está. Quando somos livres, entre outras coisas, precisamos ter consciência de que as pessoas que estão em torno de nós também são livres para permanecer ou não em nossas vidas. Ainda que, não compreendam o significado da liberdade, terão o livre arbítrio. 

Ser livre é abrir mão da tortura de tentar possuir o controle sobre alguém, é confiar que as pessoas são capazes da mesma forma que você é, e que você não poderá fazer o caminho de outro ser humano, mesmo que ele seja parte de você. E mesmo que insista estar próximo poderá percorrer o caminho, mas cada um fará seu caminhar, e será dona apenas dos seus passos.

Da palavra liberdade pulamos para a linda CAMINHAR! É incrível como até as palavras gostam de andar juntas e multiplicar seus significados, é assim também conosco. O que seria de nós se fossemos livres sem poder caminhar junto a quem queremos, e quando este caminho nos une ao que muitas pessoas desejam... É uma delicia a liberdade das palavras, do teclado para a vida e de toda a mente criadora.

A liberdade pode sim ser assustadora, uma nova atitude de não precisar controlar nada além de suas direções, é a certeza de que nascemos sós, partimos sós, mas não precisamos estar sós se assim desejarmos, é uma ida e volta de quereres e saberes infinitos, é a alma construindo os saberes da vida. 

Liberdade é não ter medo de nada ou de ninguém, porque diante de tudo teremos possibilidades, caminhos, quereres... Seremos um dia livres verdadeiramente.

Por vezes me sinto livre para escrever e soltar os meus medos, a palavra LIBERDADE sabe por quais estradas percorri para perceber alguns significados e ações. Meu sorriso livre me trouxe aqui, desprendendo de alguns medos e consciente de que a liberdade me traz consequências. Mas estou disposta a escrever continuamente todas em minha história, e que a minha escrita me permita insistir em ser livre. Porque tem vida mais certinha que está, mas não presta não.


Para hoje: Ouse ser livre. Liberte-se. 

Texto: Grazy Nazario.  


quarta-feira, 12 de agosto de 2020

Revirando a caixa de e-mails - Diário da artista

   As vezes sem querer aquela vasculhada na caixa de e-mails é super necessária e revigorante! 


Cara de travessa até que tem

       A caixa de e-mails é mesmo uma caixinha de surpresas. Lógico que em tempos atuais é normal verificar a caixa de e-mails, seja aguardando um remetente especifico ou qualquer que seja o assunto que chegue pelo conhecido correio eletrônico, básico do dia a dia. Mas recentemente eu visitei um lugar na minha caixa de e-mails á muito tempo não visto por mim, na verdade eu havia esquecido completamento que este lugar existia, é a caixa de rascunhos.

        É interessante dizer que fiquei cerca de um mês sem conseguir entrar na conta do meu e-mail. Do dia para a noite resolveram pedir como senha a "palavra passe". E como é que eu tendo criado a conta do à anos atrás me lembraria da palavra que digitei? Eu sabia que tinha a ver com feminismo, talvez o nome do blog ou escrita, tentei de tudo e não fazia ideia. E o pior é que tinha feito alguns pedidos pela internet, e cancelamentos, e era impossível entrar na conta. 

        Enfim, depois de inúmeras tentativas e processos de desistências e recomeços, foi possível acessar a conta "perdida". Ufa! Fui logo verificando as situações de urgência para prosseguir com o cancelamento que eu queria, e saber sobre o produto eu esperava troca... Não encontrei nada que procurava. Comecei a revirar tudo, estaria em algum lugar, pois foi dito que estaria lá. Remexi em tudo, desde a caixa principal item por item até a lixeira e tudo o que tinha direito. Em meio a estas procuras intermináveis cheguei até a caixa de rascunhos, e para meu espanto parecia um mundo paralelo, nunca havia reparado o quanto ela sabe sobre minhas intenções, desistências e prosseguimentos. Naquele espaço que parei para observar e refletir.

      Na caixa de rascunhos eu vi de tudo! Sabe aquele texto que você começa e não termina, deixa pra lá e as vezes retoma, as vezes não. Fiquei vermelha de vergonha!Meu rosto esquentou ao ler as coisas que eu  não havia enviado, mas que pensei em encaminhar. Tudo ficou pior quando lembrei de que alguns eu havia retomado a escrita e enviado em outra oportunidade. Quanto mico eu teria evitado! Coisas de muito tempo e com endereços para lugares mais exóticos, tipo "a pizza não estava boa como sempre"!  Foi engraçado até. E tinha também coisas que eu pensei em mandar e recuei, até declarações com poesia eu encarei. Direto do túnel do tempo! 

    Percebi certa inocência em algumas palavras, e foi muito bonito perceber que amadureci em muitos aspectos, e que mesmo com novos pensamentos mantenho alguma poesia nos sonhos de cada dia. Encontrei o texto que iria encaminhar junto á copia do meu primeiro livro "O voo do beija flor", era o inicio do meu voo, e eu nem cheguei tão alto ainda, mas como é bom sentir o quanto aquele voo me fez bem e ainda faz. O rascunho deu espaço ao verdadeiro e-mail, o inicio de uma realização incrível que até hoje gera frutos em verso e prosa. 

     Enxerguei naquela limitada caixa de textos muitas demostrações de coragem e outras de covardia, nem tudo é perfeito. As vezes o mundo nos prega peças, tive orgulho de ter encaminhado alguns, e me perguntei porque não enviei outros? Não mandei mesmo, ficou aqui prontinho. Mas são coisas da vida, do caminhar, e aprender. Nada é absoluto, a vida é orgânica. 

     Depois dessa investigação a caixa de rascunho olhei também os outros e-mails importantes para mim, tipo quando leram um texto meu na internet e falaram que aquilo foi inspirador. Penso que todos temos um propósito, e o mais importante deles é cuidar de nós, fazer aquilo que nos faz bem de alguma forma. Precisamos aprender a praticar o bem para as pessoas, sem deixar de nos cuidar. É um aprendizado constante, e se não for assim, a gente já morreu e nem sabe.  

     Revirei todas as caixas do e-mail, e muito revirei em minhas lembranças. Lembrei o quanto é difícil mudar pensamentos e ações, mas também me certifiquei de que é perfeitamente possível, eu mudei de muitas formas. Pensei em coisas que jamais faria novamente, e outras que faria diferente, mas me olhei carinhosamente, todos nós merecemos compaixão. 

Agradeci por não ter enviado algumas coisas rsrs. E senti orgulho por outras, ou teria me arrependido por não ter feito, se eu não arriscasse não seria eu! 

Para hoje: O passado é lição, e a mudança todos os dias!  


Texto: Grazy Nazario. 

quarta-feira, 29 de janeiro de 2020

Presente de menina! - Mudança se faz mudando



  Mudar é revolucionar! Não importa se em pequenos ou grandes espaços, toda mudança tem valor e vai fazer diferença em algum momento da vida de alguém. Mesmo consciente disso, o fato é que é muito louco lidar com os obstáculos do dia a dia, fazer qualquer coisa diferente do “esperado” causa estranheza, mesmo com boas argumentações, dados e comprovações reais, a cultura é forte! Mas o nosso papel é não desistir jamais! 

Um dia desses presenciei uma situação assim. Foi numa brincadeira de amigo secreto, meu sobrinho, um jovem de 20 anos tirou uma das crianças, mas não uma criança dita comum. O que quero dizer é que a menina em questão é aquela criança que toca o terror, no bom sentido é claro. Tem resposta pra tudo, opinião própria, faz questão de participar das brincadeiras dos maiores, principalmente daquelas que ainda insistem erroneamente em chamar “brincadeira de menino”, isso tudo sendo a mais pequenina da sua turma. Na escola onde estuda é conhecida como a líder da garotada, e ela só esta na creche. Ela é uma pequena “mini feminista” notável.

 Na brincadeira do amigo secreto o primo que tirou a pequena mocinha de 4 anos ficou mega feliz, com ela poderia inovar no presente, afinal “mudança se faz mudando”.

Chegou o dia da entrega do presente, e o então criativo primo deu para a garota a conhecida arminha de dardos Nerf. Era comum ver briga entre os primos pelo fato das meninas não ter o tal brinquedo, com certeza a pequena iria amar.

Mas existe algo maior do que boas intenções ou nossas vontades. Existe a cultura, o estímulo diário, aquilo que aprendemos em casa ano após ano.

Quando a menina recebeu o presente, o seu semblante fechou. E honesta como sempre foi disse:

- Eu não gostei do presente, queria uma boneca.

Todos ficaram pasmos.
O protagonista da tentativa de mudanças então, nem se fala. Ele ficou sem ter onde enfiar a cara.

Foi impossível não interferir.

- Logico que ela não gostou! - Eu disse. - Na verdade ela pensa que não gostou. Desde que ela se entende por gente todos os brinquedos que recebe em qualquer ocasião são bonecas, ela já associou isso ao que deveria receber como presente. 
É claro que ela pode gostar de bonecas e se divertir com isso. O problema está em limitar presentes a isso.

Os presentes das meninas são produzidos para ir ensinando desde pequenas sobre cuidados domésticos.
 Quando crescemos brincamos de cozinhar, cuidar da casa e dos filhos? 
Ser mulher seria um fardo disfarçado de dom!

Que tal fabricar objetos para garantir a diversão e brincadeira das crianças, sem divisão de cores ou gênero, ou nada na embalagem que diga isso é de menino ou de menina. 
 Brinquedos e brincadeiras são produzidos como se tivessem propositalmente estímulos diferentes para classificar as crianças. 
Criança é criança e ponto!  

Fiquei a pensar sobre nós mulheres feitas, que crescemos com situações semelhantes enraizadas apresentadas como único caminho a seguir .a vida. Muitas vezes nos fazendo sentir culpa por realizar algo que temos vontade. Convivendo a todo o tempo com pessoas perpetuando hábitos e pensamentos completamente ultrapassados.

Quando vemos na prática como somos “construídas”, não fica tão difícil nos perdoar por não conseguir ter certas atitudes, e é também a partir disso que criamos coragem para mudar o rumo de nossa vida e escolhas. 
É legal pensar nisso e perdoar-se mais.

Quanto a minha linda sobrinha empoderada, como eu imaginei ela não me decepcionou.
 Após a chateação inicial da entrega do presente prometi que resolveria a situação. Chamei uma das crianças e disse para que eles fossem brincar com suas arminhas. 
Assim que começou a brincadeira a pequena buscou em todos os cantos o seu novo presente.

  Os seus olhos brilharam junto a sua voz exalando alegria. 
Ela disse: 

- Nossa! Agora eu tenho uma arma minha.

A criança ficou louca e se divertiu demais, nem se lembrou sobre o que falou de boneca, afinal já tem várias. Era o hábito, e existem outras coisas legais.

Brinquedos não tem gênero, nem brincadeiras. ´É preciso mudar a nossa percepção do mundo para ampliar a visão de mundo das crianças, elas estão abertas a igualdade. 

Ser mulher é ter todas as possibilidades que o mundo oferece. Entenda isso e passe adiante.

Mesmo diante de uma decepção não desista, espere o dia seguinte, ou as próximas horas. 
Nada é impossível de mudar, já dizia Bertolt Brecht.

Para hoje: Não tenha medo de fazer o novo, as próximas gerações contam com você. 

Texto: Grazy Nazario.


quarta-feira, 15 de agosto de 2018

Altos e baixos - Diário da Artista


Assisti hoje um vídeo emocionante de uma médica que relatou a sua experiencia ao passar uma temporada em Moçambique, ela se emocionou ao dizer como se sentiu especial em ajudar outras pessoas, e como foi bom perceber como isso fazia diferença também em sua vida. Foi realmente uma troca.

Respirei fundo, senti vergonha e admiti o quando podemos nos fazer frágeis, quando a nossa fé está fragilizada. Pensei nesta semana que deveria desistir do que venho tentando a tanto tempo fazer, sim eu sou mega fraca e falha muitas vezes. Falei pra mim, que isso de escrever para as mulheres sobre o fortalecimento da nossa força é bobagem, e também pensei que sou pequena demais pra fazer o barulho que esta assunto realmente precisa.
Desisti por alguns momentos da publicação do meu livro sobre o tema que mais falo na minha vida.  Pensei que deveria me preocupar apenas com o meu trabalho convencional, e que essas coisas de fazer a diferença para o mundo era coisa da minha cabeça sonhadora, e que eu jamais conseguiria o que quero. 

Meu coração chorou, inicialmente fiquei triste porque fazer isso é desistir de algo que amo muito, mas sei que posso viver sem, todos podemos viver sem algo que gostamos. Mas eu sei que não seria feliz, nunca saberia o que é chegar perto de me realizar por parte do que realmente amo, e tive certeza de que nunca mais acreditaria em mim novamente. 

Então algumas situações aconteceram no decorrer dos últimos dias. 
Talvez eu estivesse sensível demais e perceptível a tudo, ou talvez fosse o Universo dizendo pra eu deixar de ser mole! :P 

Lembrei dos meus alunos, das crianças que dizem que ter forças para fazer intervenções depois de me ouvirem falar. Amigas empoderadas me falando que enxerga nos meus textos e atitudes que é possível mudanças acontecerem no dia a dia, além de amigos que, sem saber das minhas aflições simplesmente se ofereceram a me ajudar em situações realmente importantes.
 Logo, eu seria covarde se deixasse essa onda de desanimo me derrubar.

 Então hoje ouvi o relato dessa mulher, creio que sirva pra deixar isso de desistir pra lá de uma vez, talvez esta escrita seja um relato importante para deixar registrado que pessoas vitoriosas também fraquejam, e resistem até conseguir o que desejam, ou até chegar bem perto, já que o fim não existe quando o seu objetivo é fazer o bem. 
No final do que assisti no vídeo, a médica faz uma menção a uma citação do Padre Francisco (que amo e admiro de verdade), e achei o máximo. 
Dividirei aqui com vocês, crente que serei mais uma flor no jardim, que não exala seu perfume para si, mas para o mundo, e assim seguirei, pois sem isso nem flor eu seria.  


Para Hoje: Papa Francisco, e sua sabedoria são presentes do Universo. 

Texto: Grazy Nazario.

"Os rios não bebem sua própria água; as arvores não comem seus próprios frutos. O sol não brilha para si mesmo; e as flores não espalham sua fragrância para si. Viver para os outros é uma regra da natureza (...) A vida é boa quando você esta feliz, mas é muito melhor quando os outros estão felizes por sua causa."

Papa Francisco. 


quinta-feira, 16 de novembro de 2017

Corinthians Campeão! - Diário da Artista

Em meio a labuta diária encontramos um bom motivo pra gritar, comemorar e ficar feliz.

O Corinthians foi campeão!

Mas não é só mais um título, nunca é. 
Estamos falando de um time desacreditado, com um técnico posterior a nossa estrela TITE, e entre difíceis questões financeiras. Era um momento estranho, de varias transições.

Outros times investiram mais que nós. Contrataram grandes estrelas e esperavam que fosse o bastante. Mas futebol é mais que isso, é também garra, coragem e ousadia.  

Assim fomos seguindo o rumo do campeonato, acreditando. Enquanto outros times enfrentavam problemas de entrosamento, nós encontrávamos modos de usar as nossas estrelas escondidas. 
O técnico Carrile foi se descobrindo o comandante diante da imensidão chamada Corinthians, até que se permitiu mergulhar no universo do “Bando de Loucos”.

Fomos mantendo uma bonita sequência de vitorias, ninguém acreditava.
É a “Quarta força”?

E seguimos mantendo o equilíbrio necessário pra ser campeão, e fomos.
 O gritou saiu da garganta. 
E foi bonito, esta sendo lindo.

Não concordo em brigar por futebol, e também sei que ninguém “ganha” nada com isso, mas como é bom ganhar do Palmeiras lindamente, manter a liderança e gritar É CAMPEÃO! 
É SURREAL!

Eles, os “antis” reclamam de nós, dizem que somos exibidos, e que falamos demais sobre isso.

Incomodamos sim, por que amamos como se fosse acabar o mundo, abraçamos desconhecidos na hora do gol, soltamos fogos como se fosse final de copa do mundo, e ficamos até as três da manhã gritando em som de felicidade.  

O que incomoda é sermos em muitos assim, é acreditar que comemorar um titulo irá nos deixar mais entusiasmados e prontos para os duros dias que seguirão. 

Os inconformados tentam diminuir o trabalho da equipe, comissão técnica, e o apoio incondicional da torcida mais FIEL do mundo.
 Eles tentam, mas não adianta, estamos gritando tão alto, que não dá pra ouvir choramingo, sorrir e comemorar é muito mais bonito.
 Isto é ser Corinthians.

O Corinthians renova as nossas esperanças. 
E só quem veste o manto e se sente mais forte pode entender sua energia.

A vida vai seguir, e tudo voltará ao normal. 
Mas hoje estamos rindo a toa!

Parabéns Timão, e aos Torcedores. 
Parabéns também aos "antis",  pois sem vocês enlouquecendo de raiva isto jamais teria este sabor!


Para hoje: Se o Corinthians é o ópio do povo, nele eu vou me inundar. 







 Texto: Grazy Nazario. 

terça-feira, 7 de novembro de 2017

Coisas de escritora! - Dário da Artista


Quando eu fico muito tempo sem escrever me sinto sem graça, creio que isso acontece com a maioria das pessoas que fazem disso parte da sua vida. Hoje me senti estranha e incompleta, e sempre que me sinto assim a escrita me ajuda, e como é bom contar com isso.

Resolvi que faria a revisão do meu próximo livro “Mulher fora da Vitrine”, que são histórias em formas de contos e crônicas protagonizados unicamente por mulheres. <3 
É muito bom executar um projeto tão importante para as pessoas, mas principalmente realizador para mim.

Enquanto lia o livro me julguei a pior escritora do mundo, chorei de raiva: “Como eu terei coragem de mostrar este horror para as pessoas?” Foi meio deprimente! 
Mas respirei fundo, não é possível  que eu escrevi este livro inteiro e não tem nada de bom. Então, para a salvação da minha alma eu li o conto “Golpe de Sorte”.  

Golpe de sorte foi maravilhoso comigo, foi como uma vitamina lembrar que criei aquela história. Eu queria ser forte como a Elizabeth, ser protagonista de algo daquela dimensão. Gostaria que a vida fosse como é nos livros e que eu escolhesse os fins e meios de cada situação. 
Creio que na pratica acontece assim também, mas na escrita podemos colocar mais açúcar, e tudo pode ser vivido mais rápido e intensamente.

Fiquei orgulhosa por ter escrito um trecho assim:

“...A estrada estava perfeita, o vento soprava, e o barulho era o som da esperança, o riso da vida e o canto dos pássaros não seriam superados nem pelas galochas duras. As rotas de fuga eram o caminho para a liberdade, a única substância permitida e irrevogável...”

Vou continuar a rever o livro todo para entregar um material bacana para aqueles que acreditam na força e nas faces das mulheres, e é claro, na escrita da Grazy. Já estou pensando nas historias do volume 2. 

E o mais engraçado é que "Golpe de Sorte" nem é o meu conto favorito, mas me trouxe sorte hoje. Para saber a historia da Elizabeth e outras ainda mais intrigantes é só esperar o livro que logo estrará pronto para vender, fazer refletir e emocionar.



Para Hoje: A arte sempre está além. 

terça-feira, 14 de março de 2017

Festa em Pesqueira – Carnaval 2017

Neste carnaval, Pernambuco foi o meu destino, terra do frevo, dos blocos, do carnaval vivido e compartilhado nas ruas.

A festa tradicional do Pernambuco, está entre os desejos de muitos brasileiros quando se trata da conhecida folia. Nas cidades, os moradores locais se preparam para receber os turistas e movimentar a economia, misturar os costumes e garantir muita diversão.

Mas a grande festa da terra do frevo não esta só nas grandes cidades, como Recife ou Olinda, existe muito mais pelas terras brasileiras, a qual se tem pouco conhecimento. Conheci a cidade de nome Pesqueira, que fica a 215Km da Capital, na região do Vale do Ipojuca, Agreste Pernambucano. A cidade tem pouco mais de 50.000 habitantes, e o carnaval é a data mais esperada da vida dos pesqueirenses. Os turistas são esperados não apenas por aquecer a economia e movimentar a cidade com curiosidade e animação, os “sotaques” como eles dizem, é uma constatação maravilhosa, como se a cidade fosse privilegiada por receber tais visitantes de dentro e fora do Brasil.

A diversão é simplesmente contagiante, só fica parado quem não está vivo, o trio elétrico carrega a animação pelas ruas do centro, são blocos e apresentações, adultos e crianças que se preparam para viver e transmitir a arte da dança, do canto, da musica e da vida em fantasia.

A cidade em si é uma atração peculiar, a arquitetura do centro tem grande contraste com o resto da cidade espalhada pelos bairros. O Cruzeiro que abriga a imagem de Nossa Senhora é o lugar mais alto da cidade, ao qual eu recomendo ir à noite, a vista é realmente sensacional. Sem falar do Castelo de Pesqueira, que é uma atração à parte, orgulho dos moradores viver na cidade que parece ter uma réplica de uma das atrações da Disney, e já foi até tema de reportagem da televisão.  

Mas como nada é só festa e diversão, a terra que tanto anseia o carnaval também sofre com a falta de agua, a falta de investimentos no mercado de trabalho, entre outras situações que já enxergamos comum quando se trata do lado norte do Brasil. São tantos os problemas, e tão grandes as esperanças, que nos perguntamos por que não valorizamos as facilidades que temos em nossos grandes centros?

É comum se ouvir dizer que lugares como este são esquecidos por Deus, mas isso não é verdade,  existe vida em Pesqueira e em todo o interior do Pernambuco, existem pessoas que trabalham e que lutar por dias melhores, anseiam oportunidades e que sofrem por não tê-las. Quem se esqueceu desses lugares foram alguns políticos que deveriam ajudar as pessoas, mas não fazem nada, fingem não enxergar as suas obrigações, e não se sensibilizam com a falta do básico, e além de não ajudar atrapalham! É difícil perceber como isso é claro, e como mesmo assim continuam a labuta, trabalhando sem preder a alegria e magia do carnaval. 

Fiz novos amigos, conversei sobre politica, poesia e feminismo, também aprendi a curtir o carnaval na farra, até literalmente “quebrar a sandália”, jurei que ano que vem estarei lá, não sei se conseguirei cumprir a minha promessa, ou se visitarei outra cidade para viver mais uma experiência tão rica. O fato é que aproveitei cada minuto e curti de todas as formas imagináveis. 

No fim, o que restou foi um amontoado de confetes, serpentinas e muita gente esperançosa que espera que a vida melhore, sem que seja preciso deixar as suas origem e pegar a estrada. Com a promessa de novas águas a caminho (Rio São Francisco), a vida pode melhorar, e quem sabe tudo poderá ser ainda mais bonito no próximo carnaval.


Para hoje: Carnaval, eu quero mais! 




































quarta-feira, 11 de janeiro de 2017

Diário da artista - Sem internet, não é um bom sinal!

Férias em família. E quem não tem uma boa historia pra contar?

Comigo não é diferente, que dizer de um ano novo perturbador por que não tem internet.

Pensa em uma pessoa com 67 anos que descobriu (algumas) maravilhas a partir do uso da internet. Pensou?
Agora pensa em um ser exagerado, querendo fazer uso daquilo que ainda está aprendendo a explorar. 
É confusão certa.

Foi quase um pesadelo passar o ano novo sem nenhum sinal de internet. Sou assumidamente ratinha de internet por vários motivos. E como se não bastasse tinha o meu pai, que conseguiu deixar a situação ainda mais complicada.

Assim que ele percebeu que a internet não estava funcionando fez o maior “barulho”.

Como assim não tem internet?

Foi um festival de resmungos, listou vários problemas de não ter a tal navegação:
Como desejaria Feliz ano novo para a família? E como veria o saldo do banco?  
E se alguém mandasse um e-mail?

Tentei tranquiliza-lo. Disse que estávamos de férias, e seria "bom" pra tentar se desligar um pouco.

Mas a quem eu queria enganar? :P

Aquilo parecia o próprio inferno! kkkkk

Ele rebateu meus argumentos na hora. 

- Não brinca comigo. Eu ia mesmo colocar minhas leituras em dia, eu to de férias pra fazer isso. Quero conversar com seu tio e sua tia... Eu não vou postar nem ver nenhuma foto dos meus netos no facebook? Isso é o fim do mundo. E também não vamos saber de nenhuma noticia de política, futebol ou qualquer outra coisa. 

Estávamos numa ilha deserta. Eramos uma galera, um Náufrago coletivo de noticiários, informações e notificações.

Lógico que todos da casa estavam na mesma pegada que ele. “Todos loucos por um sinal” 
Inclusive eu, que nem postei o que planejei sobre o ano novo... :(

Mas ele superava qualquer um, andava  de um lado para o outro com os braços pra cima em busca de um sinal para o celular, já que no notebook era impossível.

Para piorar, o sinal do 3g estava péssimo, sem funcionar em lugar nenhum.

A aflição de não ter internet não deixava espaço para o cérebro pensar em fazer outras coisas. A busca era por um sinal em algum canto da casa, para fazer funcionar pelo menos o whatsApp, mas era difícil, e quando acontecia era uma festa. 

O Papito ficou ainda mais impaciente durante a semana seguinte. Sim, por um milagre ele ficou uma semana inteira sem a tal rede, mas não foi tranquilo, eram reclamações a mil.

Assim que pisei na casa na sexta-feira, recebi um novo relatório dos prejuízos causados pela falta de internet.
 Ele falou das promessas da empresa em consertar.
 Ligou na ouvidoria, e encheu os ouvidos do atendente sobre as questões que assolam o país, o descaso com os clientes que pagam as suas contas, lamentou por sofrer sendo um trabalhador, e blá blá blá...

Também disse que os seus amigos do Facebook iriam desfazer a amizade, pelo Feliz Ano Novo não dito!

Foi um longa metragem de muito dramalhão digno de novela mexicana. Puro exagero.

Percebi como a internet não é mais um acessório, ela é a própria pessoa e as suas necessidades, como se não existissem outras formas de fazer as coisas. E se não temos o sinal wi-fi espera-se, no mínimo, que a rede móvel atenda as necessidades dos usuários da rede universal de comunicação.

 É uma loucura!

Diversão, informação, comunicação está tudo ligado à internet, desde os mais pequeninos aos mais velhos, estão todos "infectados" pelos benefícios e facilitadores que a rede proporciona.
 Não parei para pensar até que ponto isto é bom ou ruim, só sei que foi péssimo me sentir dependente, sem opções, mesmo sabendo que elas existem.  

Depois de tantas reclamações, e já conformado com a desistência de continuar a passar as férias por lá, meu pai se organizou para voltar para casa.

Enfim voltaria a civilização com rede digital. 

Minutos antes de sair, alguém da casa resolveu testar o sinal.
E advinha! 
:) :) : )  * Estava funcionando. * :) :) :)

A comemoração foi como um gol do Brasil em final de Copa do Mundo. :P

Eu não sabia se ria ou se chorava, tinha certeza que se ele resolvesse abrir o notebook seria pelo menos mais duas horas antes de sair de lá, e pegar a estrada. ;(

Mas pensa se dá pra brigar. Olhem o sorriso das crianças! kkkkk




Para hoje: Internet, mais amada que você não tem! 





quinta-feira, 15 de dezembro de 2016

Diário da artista - MOVIFEMI Um presente de 2016

Participei de um seminário sobre gênero e sexualidade.
Fui pelo trabalho, como se debater e aprender sobre o feminismo e questões de gênero pudessem ser algum trabalho pra mim.
Não mesmo! :P

Estar ali, diante de tanta diversidade e compreensão quanto às batalhas, e aos reais direitos das mulheres, e de todas as questões de gênero que geram tanta polêmica me causou muitas sensações. Parece mesmo que botamos medo neste pessoal preconceituoso...

Mas não é disso que eu quero falar, quero exaltar as coisas boas disso, apenas as boas, assim como falar dos “presentes” que recebi neste 2016 tão controverso e conturbado. Sempre existe o labo bom, e quero falar do meu, ou de parte dele.

Basta conversar comigo por dez minutos pra saber como eu AMO falar sobre as mulheres, e estas questões de direitos e respeito às diferenças, é tão natural que eu nem imagino como seria NÃO ser assim. E foi nessa dinâmica que eu conheci o Eduardo Kawamura, em uma reunião que nada tinha a ver com o assunto. Mas ele comentou que existia um coletivo feminista na escola em que ele lecionava. Os meus olhos brilharam, e o meu estomago parecia querer explodir de curiosidade.

Coletivo? 
O que seria isso para mim, sempre tão sozinha em meus ideais.
Desde menina chamada de “briguenta”, chata, ou “Ovelha Negra”.

Ao primeiro contato com as meninas  do MOVIFEMI (Movimento Feminista na escola) da EMEF Eduardo Prado,  me senti uma criança no parque de diversões, trocando ideias, rindo, e me emocionando
Um turbilhão de sentimentos!
Elas contanto as suas conquistas ainda tão jovens, foi surreal.

Saí de lá renovada, imersa em esperança e encantada por tanta energia.  Elas foram tão acolhedoras, que me senti como se fizesse parte daquilo. 
Amei. <3

Depois dessa experiência conheci mais grupos, o da EMEF Sergio MIliiet, e o da EMEF Clotilde Rosa. Percebei na prática o que é uma força coletiva, como se todas nós estivessemos de mãos dadas sem ao menos nos conhecer pessoalmente. 
 As meninas do MOVIFEMI visitaram outras escolas, falaram sobre as suas experiências, e trocaram mais ideias de como o movimento feminista acontecia na escola delas.

Para o seminário seria preciso indicações, para que os relatos sobre questões de gênero acontecessem. Claro que não podia ser diferente, foram elas as indicadas, minhas queridas amigas de luta e de sonhos que nos representaram, e como eu esperava fizeram isso divinamente.

Falaram sobre a simplicidade que consiste o direito de ir e vir como um ser humano, e como é complicado viver este direito no dia a dia quando se é mulher. Também falaram de política e de questões como homofobia e racismo. O Movifemi foi muito bem representado pela Isabela e a Larissa, e também pela Nicole, que é da EMEF Clotilde Rosa, que também esta integrada na luta nossa de cada dia.

Elas foram tão lindas e tão aplaudidas que eu pensei que fosse explodir de alegria, 
elas são a nossa voz, e como cantam bonito!

Ao finalizar as suas falas, ME AGRADECERAM, falaram sobre a nossa parceria, e o meu apoio. Meu coração ficou radiante, os meus olhos se encheram de lágrimas e a minha voz embargou.  Eu não conseguia pensar ser digna de tanto carinho...
Senti muita gratidão pela vida ter me apresentado algo tão bonito,
a generosidade de meninas tão belas e fortes.  

O MOVI FEMI representa muito mais que feminismo, ou a beleza da juventude na boca e nas ações de meninas tão corajosas, representa a esperança de mudar o mundo, de fazer do lugar em que vivemos um espaço de oportunidades para TODAS E TODOS!

Eu agradeço a cada ser que conheci neste movimento,a todos os colegas que engrossam o coro da luta por diretos, e é claro, a todas as meninas do movimento, mas TODAS mesmo, cada uma com seu jeito especial de ser.
No final do relato me senti mais jovem, mais livre e mais forte!

Em 2016, foi um prazer conhecer estas grandiosas futuras mulheres.

É uma honra fazer parte deste coletivo (acho que faço parte :P),
 e renovar as minhas energias a cada encontro, a cada novo conselho e troca de vivências.


Para hoje: Meninas, segura o mundo que ele é nosso!